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Por Márcio Silva. O F2L fez uma entrevista exlusiva com o atleta Vinicius "Pezão" Magalhães. Vinicius, que é faixa preta da Gracie Tijuca/Humaitá veio a público após sua excelente performance no Mundial de Jiu-Jitsu de 2005. Depois disso, conseguiu ganhar um Grapplers Quest, uma etapa do Sub X e agora está se preparando para fazer sua primeira luta nas regras do MMA. Em entrevista EXCLUSIVA, o atleta fala sobre seu passado, presente e futuro. Mais um furo de reportagam para os usuários do www.fight2live.net !
F2L: Vinicius, qual foi o motivo de você ter ficado e fora do mundial e da Copa do Mundo de Jiu-Jitsu este ano? No ano anterior você foi o grande destaque do mundial na faixa marrom, ganhando inclusive a preta no podium. Mas esse ano você não apareceu...
Vinicius Magalhães: Bom, logo após o Mundial de 2005, começaram pintar algumas novas oportunidades aqui nos EUA. E como eu já havia conquistado certo espaço na mídia especializada por aqui também, preferi fazer uma carreira com competições aqui nos EUA, para aumentar ainda mais minha popularidade por aqui, já pensando no futuro (já que eu acho que viver de jiu-jitsu no Brasil e um privilégio pra poucos). Nesse meio tempo, tentei mudar o status do meu visto perante a imigração americana, tive problemas para que meu visto saísse a tempo de disputar o Mundial. Por isso não participei, pois como eu estava tentando uma mudança de status de visto, se eu saísse dos EUA sem uma definição eu correria o risco de nunca mais conseguir entrar aqui. Já a Copa do Mundo.... não vinha lutando os anos anteriores , então não era uma novidade, esse ano ate que estava pensando em competir, por estar competindo na Faixa Preta (pois o prêmio valeria a pena), mas vejo que não perdi nada, segundo os boatos que correm (risos) ....sem contar que não considero a Copa do Mundo um "Titulo Mundial".
F2L: Logo depois você recebeu um convite para treinar o Dan Henderson para a sua luta contra o Misaki para o Pride GP até 83 kg. Nos fale um pouco mais dessa sua experiência.
Vinicius Magalhães: Pela falta do que fazer, eu tenho um vicio aqui, que é ficar nos fóruns de lutas na internet. Num desses fóruns, tinha um tópico postado por mim, no qual eu comentava da dificuldade de se conseguir patrocínio pro Jiu-Jitsu, etc... No tópico tinha parte do meu currículo, (óbvio que eu queria vender um peixe! risos), nesse tópico, várias pessoas comentaram, recebi vários convites para seminários, para abrir academia... surgiram pessoas oferecendo patrocínio... e o contato com o Dan, surgiu através de um de seus amigos pessoais, e sócio dele no Team Quest, o Ryan Parsons. Eles se sentiram impressionados com meus resultados, receberam boas referencias de mim, tanto de quimono, quanto sem quimono. Então entraram em contato comigo por e-mail. Para começar, eles me chamaram para ficar uma semana treinando a parte de Jiu-Jitsu do Dan. No fim da semana, já pediram para eu ficar mais uma, dai 1 semana da viraram duas, pois eles gostaram do meu método de ensinar, e falaram que eu estava dando resultado no treinamento do Dan. No final, 1 semana , virou 1 mês treinando com o Dan Henderson. Esse treino foi super interessante pra mim, em vários aspectos, pois o Dan, a cada entrevista que dava, fosse para um jornal local, fosse para tv americana, ou para a mídia japonesa, ele sempre citava meu nome,Se mostrando um cara grato. Nesses treinos também senti que meu Jiu-Jitsu não era só pra competir de quimono, ou mesmo só pra competir em submission, pois eu via, e recebia comentários de todos , de que eu teria uma boa transição do meu Jiu-Jitsu para o MMA... Os primeiros treinos, até na guarda eu pulava (risos) pra usar 100% jiu-jitsu, já que na trocação eu estava cego, e tentar derrubar o Dan não é uma das tarefas mais fáceis...
F2L: E como você encarou a derrota do Dan?
Vinicius Magalhães: Eu fiquei meio frustrado com o resultado dele contra o Misaki, pois segundo ele próprio, ele nunca teve um treino de tão boa qualidade técnica, como ele teve para esse luta... Minha frustração maior foi ver que ele não usou Jiu-Jitsu (no qual ele teve uma evolução absurda) e nem mesmo wrestling, onde ele é especialista . Acredito que se ele usasse o wrestling que ele tem, com certeza tinha chances boas de sair daquela luta com vitória por finalização Assim que ele chegou do Japão, eu liguei pra ele e falei que ele nem parecia o mesmo dos treinos, que me senti frustrado, só não pior por ele não ter perdido por minha culpa, a partir do momento que ele não usou Jiu-Jitsu, ou sequer tentou. Ele mesmo falou que usou a estratégia errada... ele queria nocautear o japonês a qualquer custo, então acabou usando do boxe e mais nada. Ele nunca usou isso como desculpa, mas eu sei que a lesão que ele tinha no cotovelo esquerdo o atrapalhou um pouco em seu desempenho... nos próprios treinos , ele não podia forçar certas posições, quando estava por baixo, ou nem mesmo podia soltar bons golpes de esquerda.
F2l: Quais são seus ídolos no Jiu-Jitsu? E no MMA?
Vinicius Magalhães: No Jiu-Jitsu :Royler, Saulo, Xande, Vini, Letícia Ribeiro, Rickson, e espero que um dia eu seja ídolo de mim mesmo, se eu tiver razões para isso, como por exemplo, se eu ganhar um Mundial no peso e no absoluto..(risos) No MMA: Minotauro, Fedor e Dan Henderson. Quando comecei a treinar eu tinha o Vitor Belfort como um ídolo também, mas ele caiu muito de nível, e hoje em dia não faz lutas tão excitantes como antigamente.
F2L: Muita gente acha que você é aluno do Royler Gracie, mas na verdade você é aluno do Vinicius Aieta. Nos fale um pouco da sua história.
Vinicius Magalhães: Essa coisa ser aluno do Royler, se deve apenas ao fato de representar a Gracie Humaitá em eventos de porte maior, sendo o Royler o chefe da equipe, pros não tão bem informados eu sou aluno do Royler. Porém, apesar de não ter problema nenhum em representar a Gracie Humaitá, a academia em que treino, é a Gracie Tijuca, na qual eu aprendi o que sei até hoje através do Vini. Mas isso é comum em qualquer equipe grande. A Gracie Barra, por exemplo. Todos faixas pretas campeões são "alunos do Carlinhos" , o que nem sempre é verdade. A única coisa chata nisso tudo é que nas horas boas o Vini acaba não recebendo o credito que merece, como por exemplo no Mundial do ano passado, em todas as revistas, fossem revistas brasileiras, americanas ou japonesas, nenhuma se referiu a mim como "o pupilo de Vinicius Aieta" e sim como "Pupilo de Royler Gracie". Mas tudo bem, esse ano no LA Sub-X já teve revista me colocando como "Pupilo de Saulo Ribeiro"... o bom é que pelo menos fica tudo em casa.... (risos)
F2L: Quais os seus títulos mais importantes?
Vinicius Magalhães: Depende, tem os de importância pelo nível das competições, como Brasileiro, Pan, Estaduais e Mundiais que ganhei, e os de importância de mídia, como o LA Sub-X e o Grapplers Quest. Não dá pra dizer exatamente quais são os mais importantes, por exemplo, ganhei o Mundial 2002 , e ninguém sabe, e é um titulo Mundial. Já o Sub-X , que é um evento apenas de lutas casadas me deu mais retorno que o Mundial de 2002... Ou seja, importante para mim são aquelas que me mantém em maior evidência.
F2L: E pro futuro? Algum evento em vista?
Vinicius Magalhães: Acabei de lutar um evento de Submission Profissional no Texas (7/10), numa chave de 8 lutadores , na qual eu finalizei todos meus adversários. Esse mês ainda tem o US Open aqui na Califórnia , dia 22, dai em novembro tenho mais um evento de quimono que vai rolar aqui na Califórnia, a principio, eu lutaria no Texas no mesmo dia (04/11) , mas os promotores do evento do Texas, não se dispuseram a pagar minhas despesas de ida, hospedagem e etc, dai decidi trocar esse evento do Texas por um aqui na Califórnia mesmo, no qual a premiação e ate melhor... e mês que vem vou lutar a segunda edição do Sub-X, mas ainda não tenho adversário definido.
F2L: E MMA? Alguma previsão para estréia?
Vinicius Magalhães: Então, já tenho data pra estrear sim, vai ser no dia 11 de novembro, no Gracie Proving Ground, evento promovido pelos mesmos Organizadores do Gracie Fighting Challenge.
F2L: Já tem adversário definido? Em qual categoria você irá lutar?
Vinicius Magalhães: Sim... já tem adversário definido. Aliás esse foi um pequeno problema, afinal eu originalmente lutaria na categoria ate 205lbs(93kg), porém os organizadores do evento não encontraram nenhum lutador que se encaixasse bem para eu lutar. Até haviam lutadores mais experientes, porém a Comissão Atlética não permite lutas com muita diferença de experiência entre os atletas. Dai encontraram um lutador de Ohio, chamado Chris Larkin, que tem 8 lutas no cartel, sendo 5v 2d 1e. Apesar dele ser mais experiente, essa luta foi permitida, já que levaram em conta minhas experiências em competições. Ou seja, ao invés de lutar na categoria ate 205lbs, terei que lutar na categoria de cima (heavyweight), até 120kg (265lbs).
F2L: Como está sendo sua preparação? Vinicius Magalhaes: Bom, tenho trabalhado muito na parte aeróbica e de explosão dentro da academia (musculação) , no treinamento de luta, tenho buscado puxar ao máximo minha parte técnica e explosiva no Jiu-Jitsu, e algumas vezes na semana fazemos um sparring de Kick Boxing, e de MMA. Tenho treinado wrestling também, com alguns de meus alunos, já que a maioria aqui tem alguma experiência com wrestling. como o tempo e curto, tenho em mente de que não vou virar Boxer da noite pro dia, então por isso dou maior ênfase ao Jiu-Jitsu, pois sei que e no chão onde sou especialista, e é com o Jiu-Jitsu que posso fazer a diferença.
F2L: Como você recebeu a noticia da vitória do Fabricio Morango no Super Challenge? Vc acha que em pouco tempo teremos eventos no Brasil tão bons quanto os do exterior?
Vinicius Magalhaes: Pô, fiquei amarradão pelo Morango, o cara teve altos e baixos na carreira dele, mas sempre correu atrás, nunca parou, e na hora certa foi premiado como merecia. Espero que esse evento abra novas portas para ele, quem sabe mesmo em eventos de porte internacional. Quanto a qualidade dos eventos, talvez ate já exista eventos de qualidade igual ou até melhor que no exterior, porém no que se diz respeito aos atletas. Mas no que se diz respeito a organização, o Brasil está a anos luz atrasado de USA e Japão.
F2L: Por que vc diz isso?
Vinicius Magalhaes: Pois no Brasil o esporte ainda não é visto pela grande mídia como "esporte". Não se vê pessoas levando os filhos nas academias e falando para o professor "quero por meu filho nas aulas de 'UFC' ", Não se vê um canal de esporte dando resultados de eventos de MMA. Aqui nos EUA por exemplo, tem canais de tv que transmitem o dia inteiro eventos de MMA, e não são canais por assinatura. Aqui não são apenas dois eventos ao ano com transmissão por pay per view, e sim vários. um exemplo, se o Morango tivesse morando aqui nos EUA, e vencesse um torneio desse nivel técnico que ele venceu, estando por aqui, amanha estaria chovendo convites para ele. Sem contar que alguém que faz o que ele fez por aqui chega a ser tratado como ídolo ate mesmo por leigos. Enquanto no Brasil, para os leigos, fazer o que o Morango fez é apenas uma coisa de um cara perigoso, que nem deveria sair nas ruas. Resumindo, o Brasil ainda não tem a mentalidade pronta pro MMA. Quando digo Brasil, digo o grande publico, pois é óbvio que quem vive no meio das lutas, vê uma realidade diferente.
F2L: Pra finalizar, mande seu recado pros usuários do ww.fight2live.net :
Vinicius Magalhães: Bom, gostaria de agradecer a oportunidade dada, de expor o que está acontecendo com minha carreira enquanto estou aqui nos EUA, e também gostaria de aproveitar o espaco para agradecer aqueles que me apoiam diretamente , como meus treinadores como o Vini por exemplo, que apesar dele estar no Brasil é o Jiu-Jitsu dele que eu represento, e companheiros de treinos, desde os do inicio no Jiu-Jitsu, como os atuais, do Jiu-Jitsu, do Kick Boxing, MMA...(risos) E aos meus patrocinadores: Senki Kimonos, Jiu Jitsu Pro Gear e Light Force, pois sem ajuda dos patrocinadores também fica dificil chegar a algum lugar.
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