LAST_UPDATED2 Escrito por Yassuo Inafuku Ter, 26 de Junho de 2007 07:11

Colaboração - Agripino Marques Jr, Bruno Petrucci e Rodney Borges.
Depois de alguns meses afastado dos ringues devido à uma contusão na mão, o campeão do Hero's GP 2006 Gesias Cavalcante está de volta e com muita fome de lutar. O atleta da American Top Team venceu Nam Phan no Dynamite USA em Maio e se prepara para estreiar no K-1 Max contra a fera Masato no próximo dia 28 de Junho. Conheça mais um pouco sobre esse grande campeão em entrevista exclusiva para o Fight2Live.
- Voltando aos ringues depois de 7 meses, o que você achou do seu desempenho na luta contra o Nam Phan no Dynamite USA? Já está 100% recuperado da contusão na mão?
Graças à Deus recuperei e a mão está 100%. Hoje em dia não tem problema nenhum, é como se fosse uma nova. Foi a primeira luta desde a operação e já passou no teste (risos). Depois de tanto tempo longe do ringue estava com fome de luta, tanto que no final do mês já tem outra. Com todo o trabalho em grupo, esforço e dedicação os resultados são apenas frutos a serem colhidos.
- No dia 28 desse mês você voltará aos ringues novamente, dessa vez enfrentando o Masato nas regras do K-1 Max. Algumas pessoas acham que você deveria dedicar-se apenas ao MMA, o que pensa sobre isso?
Continuo dedicando-me apenas ao MMA! O que vem a ser MMA? Mixed Martial Arts, certo? Então, já competi vários torneios de luta-livre, submission, wrestling e jiu-jitsu. Quando era moleque cheguei a fazer umas 3 lutas de low-kick e kickboxing. No começo do ano passado eu ia fazer uma luta profissional de boxe. Minha parada é essa, é estar aí na atividade, buscando a minha evolução máxima, não só como lutador, mas principalmente como pessoa.
- 2006 foi um ano bem produtivo para você, conseguiu de vez sua ascensão profissional conseguindo o cinturão do Hero’s GP, você acha que a falta do “Kid” Yamamoto e do Genki Sudo pode ter tirado um gostinho a mais desse GP?
Que nada! O gostinho da vitória do GP continuou doce, mas com muito cheiro de suor. E esse ano tenho a oportunidade de adocicar ainda mais a boca.
- Você aparenta ser muito forte para o seu peso, a diferença entre você, Rani e Uno era monstruosa. Você concorda que quando a parte técnica se equipara, o que conta logo depois é a força e o preparo físico?
Com certeza, força e preparo físico contam, e muito, principalmente o condicionamento físico. Mas tem que levar em conta também um outro fator muito importante, a vontade, o querer. Quando se quer alguma coisa, quando você acredita naquilo e põe na cabeça que é capaz, você irá encontrar maneiras de transpor os limites técnicos e irá arrumar um jeito de sobrepor a força, você irá fazer seja lá o que for pra fazer, pra fazer aquilo que tem que ser feito (risos). Agora me senti um filósofo.
- O que você achou da união UFC/Pride?
União?? Cadê a união??
- Você acha que o Hero's tem estrutura para competir com o UFC/Pride?
Com certeza, o Hero's é um evento do K-1, que tem uma produção incrível! Na verdade eu acho o K-1 a maior organização de lutas do mundo. O Hero's com um pouco mais de amadurecimento pode ver a ser o maior evento de MMA do mundo também. O Hero's é um evento novo, tem apenas dois anos e já tem o nível que tem, imagina daqui a mais um tempinho.
- Vítor Shaolin está no Hero's agora, e vocês devem se enfrentar em breve, qual sua estratégia para uma possível luta com Shaolin?
Minha estratégia é a mesma de sempre, estar em plena forma física, saúdavel, muito bem condicionado, buscando meu ápice técnico, equilibrado emocionalmente, fortalecido mentalmente, receptivo para Deus espiritualmente e ligado com os ouvidos bem alertas para os meus técnicos, que é quem cuidam da parte tática do meu jogo.
- Pra quem não conhece o Gesias Cavalcante ,nos fale um pouco de como começou no MMA e com quem treinava no Brasil?
Comecei na equipe Sensei de luta-livre que era a única academia que tinha treino de MMA na minha área. Em Campo Grande, treinava com o Marcos Vinicius Corval, Maicon Alarcao e Vitor Hugo Passos. Na época o Renato Babalu também treinava com a gente, eu estava sempre competindo os campeonatos de luta-livre e submission, mas sempre visando o MMA. Até que surgiu a oportunidade de fazer a primeira luta nas regras do Shooto amador em um evento que o Alexandre Pequeno fez. Depois acabei vindo para a ATT que foi onde comecei a minha carreira profissional.
- Sua única derrota foi contra o Hansen, você espera lutar com ele novamente? O que você faria de diferente numa nova luta entre vocês?
Espero lutar sempre com os melhores e nos melhores eventos. Não tenho problema com aquela "derrota" para o Hansen, não tenho nada pessoal, até porque eu soube reverter todo o resultado negativo para algo positivo e transformar-me em um melhor lutador. Hoje em dia, se a gente lutar novamente o que vejo de diferente da minha parte acontecendo é que soltaria muito mais o jogo, seria uma luta muito mais bonita.
- Qual foi a luta mais difícil da sua carreira?
Toda! A luta pra mim não é apenas o tempo cronometrado em cima do ringue, mas sim todo o esforço e dedicação que me levou até estar ali. Me esforço e me dedico a todas da mesma forma. Todas acabam tendo um ponto de superação diferente uma da outra.
- A sua equipe, American Top Team é a que mais vem crescendo nos últimos anos, sempre estamos vendo atletas se destacando nos maiores eventos do mundo, qual segredo dessa equipe?
Trabalho em equipe, união, liderança, dedicação e amor, nada a mais. A gente é uma família e todo mundo tem o mesmo foco, os mesmo objetivos. É brasileiro, americano, filipino, canadense que não sabe se é coreano ou francês, marroquino que não sabe se é belga ou árabe, porto-riquenho, extraterrestre, frankstein. Aqui se encontra de tudo, mas é todo mundo irmão.
- Conte-nos como foi que você conseguiu chegar até a ATT, como foi o contato e como se deu a adaptação...
Eu cheguei na ATT através de amigos, tinha o Marcão Oliveira que eu conhecia do wrestling e morava lá perto da minha área em Campo Grande. O Moacir "Boca" e o Marcel Ferreira que eu conhecia através dos treinos na antiga Universo Atlético. Todos já moravam aqui e sabiam da minha vontade de lutar MMA. Eu era moleque com 16/17 anos e já tava disputando o Shooto amador, já tinha títulos na luta-livre, submission, wrestling e um desejo indomável de querer lutar logo no profissional. Com isso eles falaram com os donos da ATT, conversaram com os irmãos Silveira e com o Libório, que são os cabeças no time e me liberaram pra vir treinar aqui. Fiquei morando um tempo na casa do "Boca" até entrar no time em definitivo e ficar morando na "casa dos artistas", que era como a gente chamava o alojamento do time. Tendo um objetivo e com amigos aqui foi tranqüilo se adaptar. Corri atrás de aprender o inglês o mais rápido possível, procurei lugares pra me alimentar bem, com o tempo foi tudo se encaixando . E tô aí, até hoje trilhando o meu caminho.
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