LAST_UPDATED2 Escrito por Equipe Fight2Live Ter, 22 de Dezembro de 2009 20:14
É com muita satisfação que o Fight2Live traz uma entrevista com o nome mais comentado do mundo do Grappling no ano de 2009, trata-se de Braulio Estima. Campeão do ADCC 2009, a fera da Gracie Barra relembra o seu início no Jiu-Jitsu, planos para 2010, MMA, Família e muito mais.
Confira a entrevista exclusiva.
Braulio nos conte como começou a sua relação com o Jiu-Jitsu? Lembra do primeiro dia em que vestiu um Kimono? Aos 9 anos de idade eu comecei a praticar Judô, infelizmente meu professor Alex faleceu em um acidente de moto, então fiquei um pouco frustrado e parei com os treinos. Em 1996, aos 16 anos aconteceu a minha primeira relação com o Jiu-Jitsu através de um amigo, o Fernando Cavalcanti, o qual era parceiro de treino no Judô.
Me lembro muito bem que peguei emprestado um kimono usado de um outro amigo que terminei pagando o equivalente a 30 reais pela parte de cima (risos), parecia um molambo, até quando o meu avô me deu o meu primeiro kimono.
O que o Jiu-Jitsu te ensinou como homem?
Na minha opinião, o seu temperamento e caráter reflete no seu Jiu-Jitsu, e assim você se redescobre e um ajuda o outro na jornada da vida.
Você pode notar bem se o cara é um cara paciente ou não, ou quando o cara se desespera em uma situação inesperada. Muito engraçado isso, mas se você parar pra notar, a forma de lutar o Jiu-Jitsu pode te dar uma grande lição de vida.
Nunca abandonar uma posição segura sem estar certo de que onde você esta indo é melhor ou tão seguro quanto, se está em uma situação ruim não se desesperar, tentar se acalmar e tentar não deixar a situação ficar pior. A pressa é a inimiga da perfeição. Errar é muito importante para você se outro descobrir, e assim vai. Jiu-jitsu pra mim é um estilo de vida. Meus melhores amigos conheci no tatame e me ensinaram muitas coisas como pessoa.
Como você espera que o nome Braulio Estima seja lembrado no Jiu-jitsu?
Como um exemplo de que determinação e disciplina. São coisas fundamentais pra conquista de qualquer objetivo. Quando comecei Jiu-Jitsu o faixa preta mais próximo morava no rio. O meu professor e amigo José Radiola era faixa azul e ele tem um grande mérito nisso também , e foi ele que me mostrou a importância da determinação.
Braulio Estima se espelha em alguém? Tem algum ídolo no Jiu-Jitsu? E no MMA?
Eu me espelho nos melhores lutadores de Jiu-Jitsu, em geral procuro sempre adaptar posições as quais eles fazem de melhor. Embora muitos lutadores me inspiram, Deus é o meu ídolo.
O caminho natural para quem vive da luta, hoje, está em torno do MMA. Você tem vontade de lutar MMA? Tivemos agora há pouco tempo o caso do Marcelinho que migrou para o MMA, fez uma luta e acabou parando, sentiu que não era a "praia" dele...
Sim, lógico. Vejo o MMA como um desafio de pôr a minha arte em prática. Muitos se dão bem, outros não. Isso é normal. Com certeza eu vou experimentar e ver no que vai dar. O que eu amo é Jiu-Jitsu, treino onde estiver, até em férias se tiver uma academia eu pinto por lá, sou viciado. Já o MMA vai ser um desafio que quero ter.
Falando em MMA, você já teve algum contato com eventos que promovem o MMA?
Sim, todo mês recebo ligações, mas tenho um empresário que esta tomando conta disso. A hora certa vai chegar, mas tem que ser paciente e estar preparado para o dia D.
Hoje em dia, o foco do MMA está nos EUA, mas lá eles ainda estão começando a entender como que funciona um lutador de jiu-jitsu que migra para o MMA. Seria mais interessante você ir lutar no Japão, como fez o Marcelinho e o Roger Gracie?
Lutarei onde a relação entre eu e o evento for melhor.
Quem foi o maior campeão absoluto da história do Jiu-Jitsu?
Roger Gracie, sem dúvidas.
Fernando Tererê, um dos nomes mais importantes da história do Jiu-Jitsu, está passando pelo adversário mais difícil da carreira dele, as drogas. Qual mensagem de apoio você deixaria para ele?
Você acha que a imprensa especializada está fazendo a parte dela? Por tudo que o Tererê fez pelo Jiu-Jitsu, você acha que eles estão correspondendo hoje?
Cara, o Tererê é um fenômeno , infelizmente um grande desperdício pro mundo da luta.
Acho que a imprensa, atletas e amigos estão fazendo a parte deles, agora é só esperar que o Tererê faça a dele. Não é fácil, mas não adianta o mundo inteiro querer ajudar se o Tererê não estiver disposto a sair dessa.
Torço pra ele dar a volta por cima. O Tererê pra mim está entre os 10 melhores lutadores de todos os tempos.
Como é o seu treinamento? Seu dia–a-dia.
Sempre estou treinando jiu-jitsu, todos os dias. E quando tem competições eu foco na preparação física e aumento o ritmo de treinos.
Você já passou por algum momento de dificuldade no Jiu-Jitsu?
Sim, vários. O principal foi a minha cirurgia no joelho, em fevereiro de 2008. Mas graças a Deus estou de volta.
Qual a diferença entre você perder ou seu irmão perder uma luta?
Em termos de tristeza é o equivalente. Em termos de raiva, quando eu perco. Mas antes e durante a luta eu fico mais nervoso quando estou assistindo o meu irmão lutar.
Vi em uma entrevista que você se declarou preguiçoso em relação aos treinamentos. O que você costuma pensar em momentos de preguiça? De onde vem o estímulo?
Isso foi um exagero meu (risos). Na hora saiu isso. O que eu quis foi passar uma mensagem de que mesmo sem estar a fim de treinar, ou quando estamos todo dolorido do dia anterior, temos que levantar e ir à forca, pois depois seremos recompensados.
Eu sempre treino bastante antes das competições, mas temos que ter um sistema, uma agenda, uma estrutura, e seguir a risca tipo um trabalho qualquer. Se o expediente começa as sete da manha, as sete da manha temos que estar lá. Pra me estimular, fora a minha cabeça, procuro ter um personal trainer sempre me puxando ao máximo.
Em relação ao ADCC, você foi campeão do peso (88kg) e absoluto. Como foi a sensação de ser campeão do evento de grappling mais famoso do mundo? A ficha já caiu? Valeu à pena superar a preguiça?
A sensação foi inacreditável! Não tão diferente das outras grandes competições que fiz, mas pelo fato de como decorreu, sem levar nenhum ponto e finalizando todas as finais. Foi muito gratificante e com certeza os meus personal trainers foram fundamentais para isso, para me tirar da cama as 6:30 da manhã.
A ficha só cai quando eu falo sobre o evento. Sou um cara muito pé no chão, quem vive de passado é museu (risos), estou ligado no que vem pela frente. O mundial de jj vai ser o bicho, não vejo a hora... Vem surpresa por aí.
Agora no próximo ADCC você lutará com o Jacaré, que foi o campeão da super luta derrotando o Robert Drysdale, Vai se satisfazer lutando só a super luta?
Como falei antes, eu acho um pouco injusto isso. Eu amo lutar, e lutando só uma vez não temos a chance de mostrar o nosso Jiu-Jitsu contra oponentes diferentes. O dinheiro não é o mais importante pra mim. Com certeza vou ficar me mordendo pra lutar contra os outros. O Jacaré não teve a chance de lutar contra Xande, Marcelinho, André Galvão, Vinicius Magalhães, Rafael Lovato...
Como é o Braulio pai? Curtindo muito o filho?
Muito! Ele é muito fofinho, sorridente... Vai ser um cara de alto astral. Ser pai é uma sensação inexplicável, só sendo pra saber. Isso faz eu apreciar tudo o que os meus paz fizeram por mim.
Como foi realizar o British Open e o NO-GI British open?
Foi um desafio e uma responsabilidade que botei a minha frente. As competições aqui no Inglaterra eram muito desorganizadas, muita gente pensando em fazer dinheiro e não se preocupando com os atletas. Poucas áreas, poucos árbitros e nenhum coordenador de área. Muito ruim para o desenvolvimento do campeonato, assim muitos atletas que esperavam lutar às 11 da manhã terminavam indo pra casa às 5 da tarde sem ser chamado ainda. Pra se fazer um bom campeonato tem que se gastar, então não me preocupei com retorno financeiro e fiz um campeonato no nível da confederação, e hoje se tornou um marco na história do Jiu-Jitsu no Reino Unido.
Braulio, naquele mundial de Jiu-Jitsu nos Emirados, a final contra o Tarsys Humphreys foi cheio de polêmicas. Nos conte exatamente como você viu aquela luta?
Bem o que ocorreu foi que o juiz era muito verde e despreparado. Foi comentado antes que teriam três árbitros nas finais, mas o que realmente aconteceu foi que ninguém do evento sabia que já era a final (risos). Já eram 2 da manhã, então o árbitro que era pra ser o Zé Marcelo, cara que é experiente, nem sabia que era a final então é isso. Com o Fábio Gurgel gritando do lado, quando você não sabe muito o que esta se passando, termina sendo influenciado. O que aconteceu é que eu raspei o Tarsys, daí comecei a tentar a passar, mas ele ficou em posição defensiva, então não pude desenvolver o jogo e o Fábio gritando do lado fez com que o juiz me desse punição, me forçando a abrir o jogo nos últimos 30 segundos. Sem opção, tive que soltar as pegadas pra mostrar que ele é quem tava amarrando, e ele aplicou um raspagem a qual deveria ser segura por 3 segundos. Mesmo eu batendo e voltando na mesma hora o juiz marcou os pontos fazendo com que o Tarsys ganhasse por uma vantagem.
Mas é isso. Passado é passado, Na próxima vez não vou depender dos juízes.
Quais seu planos para 2010?
Fazer um tour pelos Estados Unidos de seminários e lutar tudo.
Um bate bola
Jiu-Jitsu: estilo de vida
Braulio Estima: perseverança
Vitor Estima: melhor amigo
Roger Gracie: grande amigo e o melhor lutador de jiu -itsu do mundo
Finalização mais bonita: arm-lock helicóptero
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