marionetoo
18-10-07, 09:52
Estrelas do vale-tudo e do Jiu-Jitsu respondem à pergunta e revelam os caminhos para a vitória nascer com as costas grudadas no chão
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À esquerda na foto, Royler aprova o armlock que o irmão Royce aplica em Jason Delucia, no UFC 2, em 1994.
Em dezembro de 1994, Royce Gracie espantou o mundo ao finalizar o wrestler Dan Severn com um triângulo no UFC 4, então novidade absoluta no octógono. Sete anos depois, um outro brasileiro, dessa vez vindo da Bahia, provou que a guarda não é um lugar seguro para quem está por cima. Os triângulos aplicados no mão-pesada Gary Goodridge e no wrestler Mark Colema escreveram o nome de Antônio Rodrigo Nogueira na história do Pride e do esporte. Se Rorion Gracie, criador do UFC, costumava dizer que o mundo sempre gostou de ver a técnica do Davi vencer o Golias, Royce e Minota, entre outros, provaram o quanto o que vinha de baixo podia ser fatal.
Hoje as coisas mudaram, e os adversários de alto nível parecem ter incorporado os mecanismos de defesa – e uma prova é que mesmo Minotauro não arma com eficiência sua ratoeir..., quer dizer, seu triângulo desde 2002. Uma pergunta, então, se impõe: ainda vale a pena jogar por baixo no vale-tudo?
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Minota e Roger Gracie (foto mais abaixo) na era do reinado do ground-and-pound: os dois guardeiros são a prova de que ainda se pode aprontar muito, ainda que se comece por baixo.
A derrota de Royce para Matt Hughes, no UFC 60, em maio de 2006, talvez não seja o melhor exemplo da dificuldade que os especialistas em chão encontram, mas com certeza é o mais significativo. “Estou desapontado com o resultado, mas satisfeito que ele usou o Jiu-Jitsu. Carregando a bandeira...”, disse Royce logo após a luta, vencida por Hughes com a interrupção do juiz. A declaração explicita uma mudança de realidade dentro do esporte. O vale-tudo não é mais (há muito tempo) um esporte de confronto de estilos, mas sim de atletas que combinam as mais diferentes modalidades. Aquele que melhor fizer essa mescla, tem mais chances de vencer.
“De uma boa defesa nascem as oportunidades de ataque”
Royler Gracie
Um dos pioneiros do Jiu-Jitsu no vale-tudo, assim como seus irmãos Royce e Rickson, Royler Gracie ressalta que o fim dos combates sem tempo mudou a cara do esporte: “No chão, o cara não tem tempo de fazer quase nada. Os eventos hoje querem dinamismo e acham que isso significa boxe”. O faixa-preta Roberto Gordo faz coro com Royler, e adiciona: “Com tempo delimitado, é importante que o lutador seja ofensivo o tempo todo e tenha uma boa estratégia”, afirma o técnico do Gracie Barra Combat Team.
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Rickson já ensinava que ficar por cima era vantajoso para o lutador de Jiu-Jitsu. “Sinceramente, eu não estava com vontade de puxar o Takada para a guarda, queria cair por cima. “, disse o Gracie, após o Pride 4.
Está por baixo? Paciência
O problema, porém, é que a resposta à pergunta que esta reportagem propõe não depende apenas do lutador – mas também, da vontade do adversário. É por isso que, para uma boa atuação por baixo ou por cima, professores e treinadores apostam na inovação. “Tem que continuar se aperfeiçoando tecnicamente e sempre ter uma novidade, porque o trivial quase todos já sabem”, aposta Gordo.
“Todo mundo fala que Royce e Minotauro pegavam caras sem noção de chão, mas na verdade eles é que treinavam muito”
Minotauro concorda que a atitude do adversário dita o grau de dificuldade para quem está por baixo: “É difícil lutar nessa posição quando o adversário não se expõe. Quando o cara busca o ataque, tenta passar a guarda, aí ele te dá uma série de oportunidades de ataque também”, opina o ex-campeão do Pride e novo astro do Ultimate. Esperando a sua vez de disputar o cinturão dos leves do UFC, o faixa-preta cearense Hermes França ainda acredita que o sucesso depende do quanto se treina: “Hoje em dia muita gente esquece de treinar chão. É claro que não se pode esquecer o wrestling e o boxe, mas o chão ainda é o diferencial”.
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Royler destaca ainda outra característica do vale-tudo que cria dificuldades para o lutador guardeiro, ainda mais hoje, que todos têm um bom nível de Jiu-Jitsu: “O vale-tudo apresenta mais vantagens para o striker do que para o grappler. A luta começa em pé, com os dois separados, então o grappler precisa aproximar e levar para baixo”.
Bicampeão mundial absoluto, Ronaldo Jacaré começou agora no vale-tudo, mas continua confiando totalmente no Jiu-Jitsu e cita um ídolo seu para apontar uma das qualidades necessárias para se ter sucesso por baixo: “Nem todo mundo tem o sangue frio e a paciência que o Minotauro tem...”. Royler aponta as vantagens da paciência na defesa, fundamento vital para quem está com as costas no chão: “O cara que quer jogar por baixo tem que saber se defender. De uma boa defesa, nascem as oportunidades de ataque”. Citado por Jacaré, Minota adiciona duas características para o lutador que fica por baixo ter sucesso: “O cara precisa apresentar uma boa guarda e agüentar porrada na cara, se não, não tem jeito”. Como é difícil encontrar lutadores que unam todas essas qualidades – paciência, boa guarda, boa defesa e resistência – Jacaré avalia que quem fica por baixo, hoje, tem mais chances de perder do que de ganhar uma luta. Gordo concorda, e afirma que apenas uma superioridade muito grande em relação ao adversário pode dar uma posição de tranqüilidade a quem está por baixo no chão.
“[Para jogar por baixo] O cara precisa ter boa guarda e agüentar porrada na cara, se não, não tem jeito”
Rodrigo Minotauro
Muito treino e gogoplatas
É difícil vencer lutando por baixo no chão? Sim, mas está longe de ser impossível. Prova disso ocorreu no último réveillon, no Pride Shockwave 2006, quando Shinya Aoki desencavou a boa e velha gogoplata brasileira para sufocar o duríssimo Joachim Hansen, norueguês nada bobo no chão. A manobra impressionou tanto que fez seguidores, e no Pride 33, em fevereiro, Nick Diaz, faixa-preta de Cesar Gracie, usou o mesmo estrangulamento com a ajuda da canela para pegar o campeão dos leves, Takanori Gomi, também inapelavelmente.
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Nick Diaz imita Aoki e populariza a gogoplata nos ringues.
O segredo, portanto, parece estar aí: inovar nas técnicas, mas treinar à moda antiga, sacrificando-se ao máximo. “No treino, pratico muito as técnicas de bloqueio com os sparrings. Assim, na luta, me sinto confortável quando fico por baixo”, revela Minotauro. Jacaré, que afia os dentes para lutar no Gracie FC, nomeia suas armadilhas preferidas: “No chão, gosto muito do udegarami [americana], e estou com o triângulo e o katagatami bem afiados”. Hermes França cita os pioneiros para encerrar o assunto exemplificando a importância do treinamento: “É preciso treinar. Treinar muito. Todo mundo diz que o Royce e o Minotauro pegavam caras sem noção de chão, mas na verdade eles é que treinavam muito”.
Fonte - Graciemag
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À esquerda na foto, Royler aprova o armlock que o irmão Royce aplica em Jason Delucia, no UFC 2, em 1994.
Em dezembro de 1994, Royce Gracie espantou o mundo ao finalizar o wrestler Dan Severn com um triângulo no UFC 4, então novidade absoluta no octógono. Sete anos depois, um outro brasileiro, dessa vez vindo da Bahia, provou que a guarda não é um lugar seguro para quem está por cima. Os triângulos aplicados no mão-pesada Gary Goodridge e no wrestler Mark Colema escreveram o nome de Antônio Rodrigo Nogueira na história do Pride e do esporte. Se Rorion Gracie, criador do UFC, costumava dizer que o mundo sempre gostou de ver a técnica do Davi vencer o Golias, Royce e Minota, entre outros, provaram o quanto o que vinha de baixo podia ser fatal.
Hoje as coisas mudaram, e os adversários de alto nível parecem ter incorporado os mecanismos de defesa – e uma prova é que mesmo Minotauro não arma com eficiência sua ratoeir..., quer dizer, seu triângulo desde 2002. Uma pergunta, então, se impõe: ainda vale a pena jogar por baixo no vale-tudo?
http://www.graciemag.com/data/images/news/categories/cat_165/JogoBaixo_4.jpg
Minota e Roger Gracie (foto mais abaixo) na era do reinado do ground-and-pound: os dois guardeiros são a prova de que ainda se pode aprontar muito, ainda que se comece por baixo.
A derrota de Royce para Matt Hughes, no UFC 60, em maio de 2006, talvez não seja o melhor exemplo da dificuldade que os especialistas em chão encontram, mas com certeza é o mais significativo. “Estou desapontado com o resultado, mas satisfeito que ele usou o Jiu-Jitsu. Carregando a bandeira...”, disse Royce logo após a luta, vencida por Hughes com a interrupção do juiz. A declaração explicita uma mudança de realidade dentro do esporte. O vale-tudo não é mais (há muito tempo) um esporte de confronto de estilos, mas sim de atletas que combinam as mais diferentes modalidades. Aquele que melhor fizer essa mescla, tem mais chances de vencer.
“De uma boa defesa nascem as oportunidades de ataque”
Royler Gracie
Um dos pioneiros do Jiu-Jitsu no vale-tudo, assim como seus irmãos Royce e Rickson, Royler Gracie ressalta que o fim dos combates sem tempo mudou a cara do esporte: “No chão, o cara não tem tempo de fazer quase nada. Os eventos hoje querem dinamismo e acham que isso significa boxe”. O faixa-preta Roberto Gordo faz coro com Royler, e adiciona: “Com tempo delimitado, é importante que o lutador seja ofensivo o tempo todo e tenha uma boa estratégia”, afirma o técnico do Gracie Barra Combat Team.
http://www.graciemag.com/data/images/news/categories/cat_165/JogoBaixo_2.jpg
Rickson já ensinava que ficar por cima era vantajoso para o lutador de Jiu-Jitsu. “Sinceramente, eu não estava com vontade de puxar o Takada para a guarda, queria cair por cima. “, disse o Gracie, após o Pride 4.
Está por baixo? Paciência
O problema, porém, é que a resposta à pergunta que esta reportagem propõe não depende apenas do lutador – mas também, da vontade do adversário. É por isso que, para uma boa atuação por baixo ou por cima, professores e treinadores apostam na inovação. “Tem que continuar se aperfeiçoando tecnicamente e sempre ter uma novidade, porque o trivial quase todos já sabem”, aposta Gordo.
“Todo mundo fala que Royce e Minotauro pegavam caras sem noção de chão, mas na verdade eles é que treinavam muito”
Minotauro concorda que a atitude do adversário dita o grau de dificuldade para quem está por baixo: “É difícil lutar nessa posição quando o adversário não se expõe. Quando o cara busca o ataque, tenta passar a guarda, aí ele te dá uma série de oportunidades de ataque também”, opina o ex-campeão do Pride e novo astro do Ultimate. Esperando a sua vez de disputar o cinturão dos leves do UFC, o faixa-preta cearense Hermes França ainda acredita que o sucesso depende do quanto se treina: “Hoje em dia muita gente esquece de treinar chão. É claro que não se pode esquecer o wrestling e o boxe, mas o chão ainda é o diferencial”.
http://www.graciemag.com/data/images/news/categories/cat_165/JogoBaixo_5.jpg
Royler destaca ainda outra característica do vale-tudo que cria dificuldades para o lutador guardeiro, ainda mais hoje, que todos têm um bom nível de Jiu-Jitsu: “O vale-tudo apresenta mais vantagens para o striker do que para o grappler. A luta começa em pé, com os dois separados, então o grappler precisa aproximar e levar para baixo”.
Bicampeão mundial absoluto, Ronaldo Jacaré começou agora no vale-tudo, mas continua confiando totalmente no Jiu-Jitsu e cita um ídolo seu para apontar uma das qualidades necessárias para se ter sucesso por baixo: “Nem todo mundo tem o sangue frio e a paciência que o Minotauro tem...”. Royler aponta as vantagens da paciência na defesa, fundamento vital para quem está com as costas no chão: “O cara que quer jogar por baixo tem que saber se defender. De uma boa defesa, nascem as oportunidades de ataque”. Citado por Jacaré, Minota adiciona duas características para o lutador que fica por baixo ter sucesso: “O cara precisa apresentar uma boa guarda e agüentar porrada na cara, se não, não tem jeito”. Como é difícil encontrar lutadores que unam todas essas qualidades – paciência, boa guarda, boa defesa e resistência – Jacaré avalia que quem fica por baixo, hoje, tem mais chances de perder do que de ganhar uma luta. Gordo concorda, e afirma que apenas uma superioridade muito grande em relação ao adversário pode dar uma posição de tranqüilidade a quem está por baixo no chão.
“[Para jogar por baixo] O cara precisa ter boa guarda e agüentar porrada na cara, se não, não tem jeito”
Rodrigo Minotauro
Muito treino e gogoplatas
É difícil vencer lutando por baixo no chão? Sim, mas está longe de ser impossível. Prova disso ocorreu no último réveillon, no Pride Shockwave 2006, quando Shinya Aoki desencavou a boa e velha gogoplata brasileira para sufocar o duríssimo Joachim Hansen, norueguês nada bobo no chão. A manobra impressionou tanto que fez seguidores, e no Pride 33, em fevereiro, Nick Diaz, faixa-preta de Cesar Gracie, usou o mesmo estrangulamento com a ajuda da canela para pegar o campeão dos leves, Takanori Gomi, também inapelavelmente.
http://www.graciemag.com/data/images/news/categories/cat_165/JogoBaixo_3.jpg
Nick Diaz imita Aoki e populariza a gogoplata nos ringues.
O segredo, portanto, parece estar aí: inovar nas técnicas, mas treinar à moda antiga, sacrificando-se ao máximo. “No treino, pratico muito as técnicas de bloqueio com os sparrings. Assim, na luta, me sinto confortável quando fico por baixo”, revela Minotauro. Jacaré, que afia os dentes para lutar no Gracie FC, nomeia suas armadilhas preferidas: “No chão, gosto muito do udegarami [americana], e estou com o triângulo e o katagatami bem afiados”. Hermes França cita os pioneiros para encerrar o assunto exemplificando a importância do treinamento: “É preciso treinar. Treinar muito. Todo mundo diz que o Royce e o Minotauro pegavam caras sem noção de chão, mas na verdade eles é que treinavam muito”.
Fonte - Graciemag