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Vizualizar Versão Completa : Roberto Godoi


Marcio Brabo JJ
05-10-06, 12:27
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Pronto para o desafio



Estivemos na academia do faixa-preta de Jiu-Jitsu Roberto Godoi, que nos concedeu uma entrevista exclusiva. Godoi falou sobre diversos assunto, incluindo o seu treinamento para a luta contra Jorge Patino Macaco no Super Challenge, que rola no dia 7 de outubro. 'Essa luta não vai me provar nada, porque eu sei que o Jorge é um cara valente, ele não tem medo de porrada. Nós já aprontamos muito. Eu não tenho nada contra, temos inclusive uma briga judicial rolando, mas o que eu desejo para ele é sucesso. Quero que ele cresça, ganhe dinheiro, como todo mundo. Com certeza hoje ele é diferente, pensa diferente de mim, mas vamos lutar e que vença o melhor. Eu vou lá lutar profissionalmente, quem vencer venceu e até a próxima', disparou Godoi. Confira abaixo a entrevista na íntegra.



As maiores equipes de Vale-Tudo hoje em São Paulo são a comandada por você, a Macaco Gold Team, a Never Shake e a Gracie São Paulo. Você apontaria mais alguma academia?

É mais ou menos isso mesmo que você falou. A Brasa, o Macaco... A gente também teve uma boa migração de atletas que estavam há muito tempo batalhando por uma medalha. E lógico que não são só esses, sempre tem um lá do interior, tem um pessoal bom espalhado por aí. O que a gente vê são atletas bons que estão surgindo do Jiu-Jitsu para o Vale-Tudo. Mas não dá para citar tudo, mas as grandes são essas mesmo.

Quantos alunos você tem de Jiu-Jitsu e de Vale-Tudo?

Hoje na matriz eu tenho 200 alunos de Jiu-Jitsu. E no geral eu tenho uns 700 alunos de Muay Thai, yoga, musculação e etc. Agora que nós não estamos tão específicos no Jiu-Jitsu este número aumentou bastante. A gente tem 14 filiais, e se formos avaliar temos mais de dois mil atletas. Isso é muito bom, mostra que estamos num bom momento.

Quantos lutam Vale-Tudo?

São mais ou menos uns 35 atletas que lutam mesmo Vale-Tudo e não como hobby. Isso porque os paulistas são muito ocupados e estressados, trabalham muito e acabam que fazem por hobby mesmo, não profissionalmente. Eles vêm também para desestressar. A nossa galera daqui são 35 mesmo. A maioria deles com mais de uma luta já na carreira.

Qual o horário de treinamento da sua equipe de Vale-Tudo?

Toda terça e quinta, das 10:30 ao 12:00. Na terça o nosso sparring em pé e quinta o nosso sparring no chão. Fora isso nós temos na segunda, quarta e sexta o Boxe em conjunto, que também puxa o Muay Thai. Tudo separado do pessoal que treina Jiu-Jitsu.

Você tem o Muay Thai do Roney. Alguém dá o Boxe?

Sim, é o Lopes. Ele que puxa o Boxe aqui pra gente. Tudo quanto é competição de Boxe o pessoal pega com ele, pra ficar bom de ringue. O treino de sparring e Jiu-Jitsu ficam entre nós mesmos faixas-pretas. E ainda temos a preparação física com o Ricardo, que puxa também pro Shogun e pro Ninja. Ele é especializado nisso e puxa a preparação específica para o Vale-Tudo.

Voltando ao início de tudo. Você começou a treinar com o Valdomiro?

Eu comecei com o Marcelo Behring, mas o Valdomiro era marrom dele na época. Eu comecei a treinar em 88 e no final de 89 o Marcelo foi para a Austrália e deixou o Valdomiro para me dar aula. O Marcelo pediu um salário muito alto para a Companhia Atlética e a Companhia não quis e ofereceu para o Junior. O Junior aceitou e o Marcelo começou a dizer pra todo mundo que o Junior não era faixa marrom, que ele era azul, começou a falar mal do Junior. Ele até deu uns tapas nele e a partir daí se desvencilhou de vez. E como eu tinha ficado um ano treinando com o Marcelo e o resto do tempo aqui com o Junior, eu preferi ficar com o Junior que tem uma história e era um cara bacana, e eu tinha medo da inconstância do Marcelo, de repente ele resolveria ir para a Austrália de novo...

O Macaco entrou nessa história em que ano?

Em 1992, quando eu já era duas vezes campeão brasileiro de faixa-roxa. Ele era judoca, treinava Rugby, e a gente zoava num colégio que sempre tinha confusão... Aí ele resolveu começar a treinar lá e ele tinha muita aptidão até porque veio do Judô.

Quando vocês dois resolveram sair e montar a própria equipe de vocês?

Foi em 1996, a gente deu uma cansada e vimos que não era isso que queríamos para a nossa vida. A gente vendeu a nossa parte na academia e largamos o Junior. Em 94, antes disso, eu o Macaco e o Junior, abrimos uma filial da Companhia Atlética no Brooklin só com o Jiu-Jitsu. Foi depois disso que cansamos e largamos o Junior durante um ano. A gente ficou um ano viajando, gastando dinheiro.

Vocês sempre foram amigos?

Sim. A gente sempre se deu bem, desde que ele entrou. A gente morava perto, tínhamos os mesmos gostos, começávamos a bagunçar, íamos para a balada também... Nós nos separamos em 2001. Enquanto nós fomos sócios, fomos quatro anos consecutivos campeões paulistas. E depois que nos separamos, a minha equipe é a tetra campeã paulista e a equipe dele não está nem em oitavo lugar. É algo que eu esperava, não desmerecendo a equipe dele. Eu sabia que ele ia cuidar da carreira pessoal dele e não cuidar tão bem da família e da academia em si.

Como surgiu a idéia do Vale-Tudo? Depois que vocês romperam a sociedade começou uma certa rivalidade.

O que mais tem por aí é disse-me-disse e nada é verdade. O que aconteceu de verdade é que ele passou a ser ríspido e nem cumprimentava mais os alunos que ficaram comigo e não com ele. O pessoal ainda respeitava e admirava ele, mas ele fazia cara feia para eles e com isso passou a ter uma rivalidade. Eu não vou negar que as pessoas que ficaram com ele eu cheguei a ser indiferente sim, mas nunca fiz cara feia nem tratei mal, apenas não cumprimentava mais. Eu era indiferente, mas em momento algum fui rude com ninguém como ele fazia e o lance começou a ficar pior. Ele chegou até a ficar torcendo e gritando pelos adversários dos meus alunos, atletas que não têm relação nenhuma com ele, só para atacar. Isso só foi aumentando. Teve o lance do Black Belt que eu lutei. Se eu quisesse sair na porrada com ele, já teria saído, até porque nós já discutimos e batemos boca em campeonatos. Mas eu tento ser o mais profissional possível. O que me motiva a lutar é o dinheiro e nem me interessa o que motiva a ele a lutar. Eu estou sendo muito bem pago e eu vivo de luta, então sou obrigado a lutar. Não tenho motivação pessoal não, poderia ser a imagem de qualquer um ali, não interessa quem seja.

É curioso o fato de que dois caras que eram super amigos, estarem em academias rivais e ainda mais no Vale-Tudo. Como você vê isso?

Quando eu fui buscar uma academia, eu busquei uma academia que poderia acrescentar no meu jogo, pessoas que eu admirava, que eu ouvi falar desde pequeno... Então fui pra BTT porque sabia que ia me sentir bem. E acredito que o motivo dele foi esse também. Ele foi pra melhorar a parte dele em pé lá na Chute Boxe e isso é normal, temos que ir num lugar onde nos sentimos bem. Cada um foi atrás do que sentia que seria bom. Por coincidência, dois amigos que andaram 12 anos juntos acabaram indo para academias arqui-rivais. Mas isso é só um tempero para a galera que assiste, para mim é como uma luta qualquer.

Você acha que de repente depois da luta vocês podem se abraçar e terminar os problemas pessoais?

Por que não né? Mas essa luta não vai me provar nada, porque eu sei que o Jorge é um cara valente, ele não tem medo de porrada. Nós já aprontamos muito. Eu não tenho nada contra, temos inclusive uma briga judicial rolando, mas o que eu desejo para ele é sucesso. Quero que ele cresça, ganhe dinheiro, como todo mundo. Com certeza hoje ele é diferente, pensa diferente de mim, mas vamos lutar e que vença o melhor. Eu vou lá lutar profissionalmente, quem vencer venceu e até a próxima.

Em relação ao evento, o que ele tem de diferencial além da excelente bolsa?

O evento dá suporte, dá um show. Quando eu preciso, é só entrar em contato que eles me ajudam. Eles me deram convites vips para os meus familiares, eles vão dar comida no camarim... é uma infinidade de coisas. É um evento onde você se sente bem, confortável e você vê que você é alguma coisa, e não apenas mais um a ganhar uma micharia. Acredito que não é só comigo isso, mas com todo mundo há essa atenção toda. Acho que será um marco em eventos de Vale-Tudo no Brasil.

Você é um pouco mais pesado que o Macaco. Como vocês acertaram a questão do peso?

Esse foi um dos problemas. Eu sempre lutei até 91kg de quimono e eu tenho 92, 93kg... Eles falaram que só iam aceitar se fosse até 88kg e eu me esforcei, fiz uma dieta, trabalhei nisso. E hoje eu estou com 86,5kg. Eu desci de 93kg desde que comecei a treinar. Eu não tenho esse peso desde que comecei minha carreira, desde bem novo. Foi uma coisa que eu quis, ficar abaixo do peso para poder chegar lá e me alimentar bem. Não quero chegar lá em cima do peso na neurose, perder com sauna uns dias antes. Essa foi uma das tarefas duras que eu tive, tudo vale a pena por essa bolsa.

Em relação à sua última luta, você teve mesmo um problema nas suas costas durante a luta?

Realmente eu tenho uns problemas nas costas. Eu nem comentei que eu ferrei as costas antes da luta com o Cyborg, mas nem quis falar nada para não parecer desculpa. Acho que nem vale a pena tocar nisso, a minha derrota não foi por causa disso, eu tive de fato muitos erros técnicos. Acho que não é esse o caminho da história. A luta não foi ruim, o Cyborg é um adversário duro, meio cru de chão, mas muito bom. Ele é funcionário do Vale-Tudo, está toda hora em cima do ringue. Avaliando não foi uma luta ruim, foi bom pra mim e vai contar na minha experiência. Me deu ainda mais suporte em relação a essa luta com o Jorge.

Em relação à BTT, como começou esse namoro? Foi há quanto tempo?

Começou há muitos anos. O Murilo ainda era faixa-marrom, tinha a galera do Carlson... E por esse lance de eu ter treinado com o Junior, com o Marcelo... Eu nunca tive ninguém para chamar de mestre. Eu sabia também que eu ainda fazia muita coisa errada, tinha muito para melhorar. E como eu já falei, eu procurei entrar em um lugar em que eu admirasse as pessoas, em que eu já ouvisse falar naqueles mestres. Eu vivo de dar aulas de Jiu-Jitsu, então eu fui atrás deles, por causa do quimono. Eu admiro todo mundo lá e por isso escolhi a BTT. Eu tiro o chapéu para os irmãos Nogueira, assim como o Maldonado, o Feijão, o Alex Negão e muitos outros.

Você chegou a ir lá treinar?

Não, por diversos motivos. Eu tenho uma estratégia minha para a luta e preferi ficar aqui, até porque eu não teria como levar os meus preparadores daqui de São Paulo. Eu queria ficar esse mês final lá na BTT, mas não deu por diversos motivos.

Você conhece muito o jogo dele e ele conhece muito o seu jogo. O que você acha que isso será favorável a você e a ele?

Eu acho que ambos conhecem o jogo do outro, nós sabemos o que o outro tem de melhor e o que tem de pior e obviamente que vamos procurar jogar no que o outro tem de pior. Sei que muita coisa mudou, ele tem uma mão pesada... Mas eu sei também no que eu sou bom. Mas acho que não podemos contar com o que sabemos de cada um do passado, porque muita coisa mudou.

Quem você aponta como uma grande promessa da sua equipe, tanto no Jiu-Jitsu como no Vale-Tudo?

No Vale-Tudo tem o Bruno Frazzato que está começando e é um lutador muito bom. Ele lutou muito bem no Max Fight. Tem o Charles Duende que estreou no Max Fight já vencendo um cara que já tinha três lutas, tem o Adriano Camolesi... Tem um material humano muito bom aqui. Tem o Cláudio Godoi, que é um atleta duro, que está se acertando. Ele não tem nada a ver de parentesco comigo (risos). Tem o Junior também do Boxe, tem o Marcio aluno do Roney... No quimono tem o Bruninho, o Anselmo, o Orlando, o Tozzi, o Big Mac...

Como você vê o êxodo do Jiu-Jitsu para o MMA?

Muitos atletas que participam do MMA, que são strikers e querem adquirir uma noção de chão, vão treinar um Submission e um Jiu-Jitsu sem kimono e isso é muito superficial. O atleta só vai adquirir as nuances, as técnicas com o kimono, saber várias coisas que só os atletas de kimono, que já treinam há muito tempo já sabem. A grande vantagem dos atletas do Jiu-Jitsu que partem para o MMA é essa, ele já tem uma bagagem enorme que raramente um atleta vai ter, mesmo que ele treine há muito tempo duramente o Submission.

Qual o seu favorito para o torneio até 73kg e até 83kg?

Vou casar no Miltinho e no Cacareco. Não é porque são do meu time não, ambos são atletas bons e têm carreira internacional. O Miltinho tem uma ótima envergadura e o Cacareco é sem comentários. Ele tem um ground and pound muito forte. Ele desceu de peso e provavelmente estará forte nessa categoria.