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Vizualizar Versão Completa : Entrevista com Ricardo Cachorrão


criscupim
25-03-09, 09:34
http://www.brasilcombate.com.br/wp-content/uploads/2009/03/ricardo-cachorrao-0.jpg (http://www.brasilcombate.com.br/wp-content/uploads/2009/03/ricardo-cachorrao-0.jpg)

Em ritmo final de preparação para sua luta contra Matt Horwich que acontecerá no UFC Fight Night 18, dia primeiro de abril, em Nashville, Ricardo “Cachorrão” Almeida, conversou com o Brasil Combate sobre seu início e conquistas no Jiu Jitsu, Renzo Gracie, Demian Maia, e muito mais!

Edu Ramos – Brasil Combate

Brasil Combate: Gostaria de iniciar essa entrevista perguntando sobre o seu início no Jiu Jitsu e seus títulos na arte suave.
Ricardo Almeida: Eu comecei no Jiu Jitsu em 1992, na Gracie Barra. Quem me levou para treinar foi o Marcelo Rezende, que hoje em dia dá aula na Austrália. Acredito que o Mark Hunt é aluno dele.
Treinei na Gracie Barra até 1997, quando peguei a faixa marrom e logo depois me mudei para os EUA para ajudar o Renzo a dar aulas em sua academia.
Ganhei o Brasileiro na faixa azul, roxa e marrom, ganhei o Panamericano também na faixa marrom e dois títulos estaduais no Rio. Assim que me mudei para os Estados Unidos, comecei a competir mais sem quimono. No AADCC fui duas vezes prata e duas vezes bronze. Sempre gostei de lutar o ADCC. Adoraria competir submision grappling de novo, mas por enquanto estou 100% focado no UFC.

Brasil Combate: E como se deu o seu encontro com o Renzo Gracie?
Ricardo Almeida: Quando comecei a treinar na Gracie Barra e o Renzo era o único faixa preta, além do Carlinhos Gracie. Era como um super-herói para toda a molecada.
Em 1997, o Renzo já havia se mudado para os EUA e estava abrindo sua segunda academia na Philadelphia. Estava precisando de um instrutor e um amigo nosso, o Doutor Zé Alfredo - faixa preta da Gracie Barra -, me perguntou se eu gostaria de ir para os EUA para ficar com o Renzo. Morei com ele no início e estou aqui até hoje.

Brasil Combate: Como é o convívio com o Renzo, que é considerado por muitos um dos melhores corners do MMA?
Ricardo Almeida: É um privilégio ter o Renzo como professor, amigo e, é claro, no córner quando luto. Até hoje não conheci ninguém com a visão tão boa quanto ele durante a luta. Na minha primeira luta de volta, assim que ele assistiu o vídeo do meu oponente, falou “você vai colocar ele para baixo e quando ele levantar vai pegar na guilhotina” e aconteceu exatamente como ele falou!
Brasil Combate: Com quem você tem treinado as partes de chão e MMA?
Ricardo Almeida: Estamos com um time bom. Tenho treinado muito com o Igor e o Rolles Gracie. Também o André Gusmão, Rafael Sapo e o Frank Edgar, que apesar de ser peso leve, é um wrestler excepcional. O Renzo tem supervisionado quase todas as nossas sessões.

Brasil Combate: Em relação à parte física, quem é o responsável pelos seus treinos?
Ricardo Almeida: O Martin Rooney da Parisi Speed School.

Brasil Combate: Apesar de possuir apenas doze lutas como profissional você teve a oportunidade de lutar nos maiores eventos do esporte, o PRIDE e o UFC. Comente, por favor, essa experiência.
Ricardo Almeida: O PRIDE era o maior evento da época, como um show do Cirque de Soleil, como show de música, luzes etc. Uma atmosfera especial até pelo fato de ser no Japão, o berço das artes marciais. A platéia sempre muito educada.
Já o UFC é como uma mistura de jogo de futebol com show de rock and roll pesado. Tem até um pouco de fogos mas o principal são as lutas. O público é bem barulhento. Eu senti uma pressão muito maior lutando aqui no UFC do que no Japão.
Outra diferença é o tamanho do octógono. No PRIDE sempre dava para ouvir o seu corner perfeitamente. Já no UFC, se você estiver do outro lado do octógono e o público berrar um pouco, já não se ouve nada. Já que é mais difícil ouvir seu córner, acredito que os ajustes entre os rounds são imprescindíveis no UFC.

Brasil Combate: Você luta em uma categoria repleta de excelentes brasileiros. Prova disso é que o desafiante Thales Leites enfrentará o atual campeão Anderson Silva no UFC 97. Qual o seu palpite para essa aguardada luta?
Ricardo Almeida: Se analisarmos as últimas lutas acho que o Anderson é o favorito. Muita gente quer saber como o Anderson se sai contra um bom lutador de Jiu Jitsu e o Thales é excelente. Gostei muito da luta dele com o Marquardt. Se ele entrar com aquela raça tem boas chances.

Brasil Combate: Você possui elevado nível técnico de Jiu Jitsu e outro atleta que vem desempenhando um trabalho formidável nessa arte é o Demian Maia. Como você analisa o chão do Demian?
Ricardo Almeida: O Demian Maia é com certeza um dos melhores do Jiu Jitsu que já lutou no UFC. Não sei o porquê mas ele me lembra o professor Murilo Bustamante.
Acho o jogo do Demian excepcional, derruba bem e finaliza tanto por cima quanto por baixo. Ainda vai dar muito o que falar.

Brasil Combate: Ricardo, alguns lutadores preferem não enfrentar compatriotas. Você lutaria com outro brasileiro sem problema ou prefere encarar atletas de outras nacionalidades?
Ricardo Almeida: Com certeza para mim seria um pouco estranho lutar com brasileiros, especialmente do Jiu Jitsu.
Quando o Frank Edgar, que treina aqui com a gente, lutou contra o Hermes Franca já foi um pouco constrangedor ficar no corner contra outro lutador de Jiu Jitsu. Se eu algum dia vier a lutar com alguém do Jiu Jitsu seria pior ainda.
Mas reconheço que, conforme o esporte cresce, isso se torna inevitável. Somos todos profissionais e pelo menos da minha parte nada é pessoal.

Brasil Combate: Você era considerado o próximo desafiante ao cinturão da categoria, caso vencesse o Patrick Cote, no UFC 86. O que faltou para aquela vitória? Faria algo diferente em uma revanche?
Ricardo Almeida: É difícil analisar derrotas e tentar explicar o que deu errado sem dar desculpas. Não importa o que eu fale, será sempre uma um explicação do porque perdi.
Acho que lutei bem no primeiro round, consegui derrubar e pontuar com o ground and pound. Eu sabia que ele tinha uma defesa boa contra finalizações, então queria bater um pouco por cima e tentar finalizar a partir do segundo round.
Quando voltei para o corner do primeiro para o segundo round, houve o episódio em que cortaram a minha luva. Não sei se me afetou, só sei que quando voltei para o segundo round, eu não conseguia me movimentar bem, o corpo travou, fiquei com vontade de vomitar o round inteiro. Nunca me senti tão mal em nenhuma luta minha, seja no Jiu Jitsu, MMA ou ADCC, quanto no segundo round daquela luta. Já no terceiro round eu comecei a me recuperar, me senti melhor. Achei a distância, acertei alguns jabs e derrubei no final. Quando passei a guarda ele virou de quatro e eu sabia que a luta estava duvidosa e achei que dava para finalizar. Perdi a posição e ele acabou por cima. Acho que isso influenciou a decisão. Quando cheguei ao vestiário depois da luta, vomitei varias vezes. Sinceramente nem eu sei bem o que aconteceu naquela luta. Meu corpo não respondia.
O importante é que estou pronto para lutar novamente e correr atrás do prejuízo.


1º Parte.

criscupim
25-03-09, 09:35
2º Parte.

Brasil Combate: Bom, não poderíamos deixar de perguntar a origem do seu apelido “cachorrão”?
Ricardo Almeida: Antes de começar a praticar Jiu Jitsu eu surfava muito. Foram os salva-vidas na praia que me colocaram esse apelido. Era um personagem de novela da Globo.

Brasil Combate: Em relação ao seu contrato, quantas lutas restam?
Ricardo Almeida: Assinei um contrato de seis lutas. Essa será a minha terceira.

Brasil Combate: Ricardo, no Brasil os patrocínios ainda são escassos para o esporte em geral. No MMA nem se fala. Qual é a realidade acerca de patrocínio nos Estados Unidos e qual tipo de apoio você recebe?
Ricardo Almeida: Pelo nível de exposição que o UFC está ganhando aqui nos EUA, os patrocínios estão aumentando. Eu tenho um agente que está encarregado das negociações de patrocínios para as lutas. Mas patrocinadores para o dia a dia, em termos de suplementos, equipamento etc, ainda são poucos. Ouvi falar que o Georges St. Pierre assinou um contrato com a GATORADE, isso é um passo grande para o nosso esporte.

Brasil Combate: Você enfrentará o Matt Horwich no UFN 18, dia 1º de abril em Nashville. Qual a sua opinião sobre ele?
Ricardo Almeida: Ele é um lutador do time do Matt Lindland, que tem uma técnica boa de luta Greco-Romana e um jogo forte no chão. Não tem um jogo apurado de posicionamento no chão mas se aproveita bem das posições de finalização.
Talvez seja o melhor grappler que já lutei no MMA. Espero que seja uma luta de alto nível técnico no chão.

Brasil Combate: Como está a sua preparação para o combate? Já possui alguma estratégia preparada?
Ricardo Almeida: Tive algumas contusões ano passado que me obrigaram a ficar afastado do octógono no segundo semestre. Fui diagnosticado com uma hérnia esportiva que é diferente da inguinal. É uma cirurgia mais complicada sem garantia de resultados positivos. Ouvi falar que muitos jogadores de futebol se aposentaram por causa disso.
Eu optei por não fazer cirurgia e me recuperar através de terapia. Tirando o levantamento de pesos muito pesados, posso fazer quase tudo. Estou me sentindo 100% pronto para essa luta.
A estratégia é finalizar, ainda mais com esses bônus que estão dando por melhor finalização da noite.

O Brasil Combate agradece muito sua atenção e por ter conversado conosco.Agradecemos também a Ally Almeida, que intermediou essa entrevista. Ricardo, espaço livre para as suas considerações finais, recados, e tudo o mais.
Ricardo Almeida: Obrigado ao Brasil Combate pelo espaço. E agradeço também aos fãs aí do Brasil pela torcida. Até a próxima.



Fonte: Brasil Combate!

criscupim
25-03-09, 09:38
Torço muito pelo Cachorrão, ele fala bem gosto das suas entrevistas parece ser bem sensato.

::flag::

Rodney Byron
25-03-09, 17:11
Esse cara é bom, nunca vai ser um fora de série. Mas só pela conduta que ele tem e o respeito com a arte e os mestres, merece ir bem longe.

samu
25-03-09, 21:02
Concordo plenamente, Rodney.


Como lutador, ele 'e bastante limitado.






Abracos.

joaocbrito
25-03-09, 22:44
Na última luta do Cachorrão parecia aqueles combates nos primórdios do vale-tudo. Ele só no JJ, e o Cote só na luta de pé.